Noticia



03
Setembro
Tecidos | UZAN Uniformes

Como funcionam tecidos com ação antiviral em máscaras e roupas



A pandemia de Covid-19 mobilizou esforços de diversas áreas da ciência com o objetivo de conter a transmissão do vírus Sars-CoV-2. Isso inclui pesquisadores do setor da moda, já que houve um aumento na produção de itens de proteção individual, principalmente máscaras.

Com isso, empresas de tecnologia e tecelagem começaram a produzir tecidos com capacidade antiviral e antibacteriana, que prometem uma proteção extra contra o novo coronavírus. Os materiais usam como base químicos que matam os micróbios presentes nas roupas.

Entre as companhias que vêm inovando nesse setor está a brasileira TNS, uma das pioneiras no uso de nanotecnologia com essa finalidade. Ao perceberem a evolução do contágio da Covid-19, engenheiros e pesquisadores desenvolverem um composto que une prata, cobre, zinco e complexo hidrogenado e outro que usa folhas de uva e de amendoeira. "Quando combinados em uma solução, os produtos desestabilizam a barreira lipídica do vírus e, assim que ela se rompe, eles inativam o RNA e o DNA que se solta — impedindo sua propagação", explica o engenheiro Gabriel Nunes, diretor geral da TNS. "Esse aditivo pode ser usado na fabricação de fios ou quando a peça é finalizada, seguindo um processo semelhante ao tingimento".

Outra tecnologia usada por marcas brasileiras é o Amni® Virus-Bac OFF, um fio têxtil de poliamida criado pela multinacional Rhodia. Nesse caso, os compostos antiviais e antibacterianos são inseridos diretamente nas fibras do tecido, impedindo que microrganismos se alojem na peça. "Nossos compostos desativam o vírus em cinco minutos, o que dá mais segurança para aqueles que têm medo da contaminação cruzada, ou seja, quando você encosta ou toca em uma superfície contaminada", explica Marcello Bathe, líder da área de mercado têxtil da Rhodia.

Em geral, os tecidos passam por testes que seguem a norma ISO 18184, que regula produtos têxteis antivirais. Os resultados das formulações garantem a inativação de 99,9% de vírus e bactérias, além de um efeito que dura entre 25 e 100 lavagens.

Mas calma: os cuidados recomendados por profissionais de saúde continuam sendo fundamentais. Isso porque ainda há pouco conhecimento entre comunidade científica sobre como o Sars-CoV-2 age nas roupas. "Além disso, esses elas podem dar uma falsa sensação de segurança, fazendo com que as pessoas diminuam os cuidados essenciais", alerta a infectologista Raquel Stucchi, consultora da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI).

A médica lembra que, mesmo ao usar esses produtos, as pessoas precisam seguir todas as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS), como distanciamento social e higienização das mãos. "Olhamos com receio para essas soluções milagrosas. Uma sugestão a esses produtores é que eles proponham um teste usando os profissionais das áreas de saúde. Assim, seria um ganho de custo e segurança para toda a sociedade", sugere Stucchi.